4ª Festa Literária Internacional de Paraty- FLIP
Aterrizamos no Rio de Janeiro ao entardecer, a Cidade Maravilhosa continua belíssima. Espremida entre praias e morros, o Rio é uma das cidades mais bonitas do mundo. Pena ser dominado pelo tráfico. Os traficantes tomaram conta dessa bela metrópole que podia ter uma das melhores qualidades de vida do planeta. Numa bela manhã de quarta-feira pegamos uma van rumo à Paraty. Foram quatro horas de viagem confortável e agradável. Na estrada Rio – Santos, beirando o exuberante litoral, surgem pequenas cidades praieiras, onde a mocidade se aquece ao sol na praia, nas escunas mar adentro e nas inúmeras ilhas que fazem a alegria dos endinheirados da região.
Para completar, os 250 quilômetros de viagem foram acompanhados de conversa informal, papo agradável e bem humorado de amigos. Na van apenas eu, o Majella, mais dois casais: João Jorge Amado e Dôra, Luiz Carlos e Janaína. As histórias alegres, o bom humor, fizeram a viagem mais rápida.
Afinal Paraty. Deixamos as malas na pousada e partimos para o reconhecimento dessa cidade histórica que um dia foi o escoadouro do ouro, prata e diamante das minas de Minas Gerais. Nossas riquezas desciam até Paraty, onde os navios embarcavam para Portugal, nosso avozinho.
Naquela quarta-feira Paraty se engalanou para receber os participantes da 4ª FLIP. No Centro Histórico de ruas de pedras disformes e enormes, as casas antigas de estilo barroco foram transformadas em lojas, bares, artesanatos, botequim e outros tipos de comércio ligado ao turismo.
Divulguei meus livros na Tenda dos Autores onde se concentravam os escritores e palestrantes, em cada exemplar escrevi a dedicatória: “Você achou este livro. Ele é seu. Um abraço do autor. Carlito Lima”. Abandonava-o em cima de uma mesa ou de um banco, e me afastava, me deliciando com o achado e a alegria ao ler a dedicatória. Por conta disso fui entrevistado pela TV-Band do Rio.
À noite houve o show de abertura com Bethânia, bilheteria esgotada, eu e Majella em pé assistimos pelo telão a maior intérprete da MPB cantar as coisas da Bahia, de Jorge Amado, o escritor homenageado pela 4ª FLIP. Bethânia arrasou, cantei, dancei tudo que sabia. Terminamos a noite curtindo um inesperado desfile de mulheres, coroas bonitas, tendo as bucólicas ruas de Paraty como passarela.
Na quinta-feira iniciaram as palestras na Tenda Azul, a principal, com opção de assistir na Tenda Branca por meio de telões.
Foi uma série de ótimas palestras. Sem tirar os méritos de tantas, a mais emocionante foi a Homenagem a Jorge Amado, com o embaixador Alberto da Costa e Silva, o professore Eduardo Duarte e Myriam Fraga da Casa de Jorge Amado. Um debate minucioso revelou a grandeza de Jorge Amado.
Assistimos inúmeras palestras e debates de autores novos e outros consagrados na literatura brasileira. Ferreira Gullar, Ignácio de Loyola Brandão, Adélia Prado. A palestra do Gabeira e o inglês Christopher Hitchens esgotou os ingressos na semana anterior.
A nota máxima foi para o OFF-FLIP: eventos paralelos, alternativos, que não constam na programação oficial. Bares, restaurantes elaboraram uma programação com música, declamação, palestras. Os participantes se inscreviam na hora. Certa noite assistimos, ouvimos, a apresentação de uma poeta carioca-pernambucana Lúcia Nobre, divulgando seu livro de poemas eróticos, O BOM TREPADOR. Ao recitar seu repertório, eu é que fiquei vermelho, acanhado pelo casal sentado à minha mesa. Mas tudo é poesia, ganhei o livro da moça e tenho para quem quiser emprestado.
Perdidos na noite, em certo momento ficamos off do off. De repente entramos num baile funk. Quando uma moça me chamou carinhosamente de vovô, puxei o Majella pelo braço, saímos. Estávamos mais que off.
A FLIP é sucesso mundial irreversível. As festas literárias estão se disseminando no país. Já existe em Passo Fundo, em Porto de Galinhas (FLIPORTO). No próximo novembro acontecerá na praia do Forte a 1ª FLIP de Salvador. Nossa idéia é realizar uma em Maceió, Palmeira dos Índios, ou União. Que venham mais FLIPS. O povo precisa ler mais, precisa de uma, duas, três, quatro, cem, mil FLIPs. A salvação da humanidade está nos livros. Quem não lê, não sabe o que está perdendo.




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