Waldemar “Fôsse Mãe”
Naquela época Waldemar morava no Hotel Atlântico, praia da Avenida da Paz. Em vez de estudar, vivia na praia organizando “baba”, pelada como chamam os baianos, e paquerando as meninas pudicas que vestiam comportados maiôs.
Ele não teve coragem de falar para os pais que foi reprovado no vestibular. Foi uma festa de arromba quando voltou à fazenda do velho. Todos crentes que nosso amigo retornava para Maceió para cursar engenharia.
Assim Waldemar passou três anos em Maceió vagabundeando com uma boa mesada. Ele gostava de se exibir pagando uma conta aqui outra acolá. Fez boas amizades por conta disso, e de sua simpatia.
Acordava-se por volta das 9 horas da manhã. Tomava o café matinal no Hotel Atlântico e descia à praia da Avenida com uma bola couraça. Na extensa areia dura da praia dava um chute para cima, era o sinal que havia chegado, começava o baba entre os desocupados que ficavam esperando pela pelada do “Baiano”. Depois da pelada e de um bom banho de mar com direito a algumas braçadas para estirar os músculos, Waldemar procurava alguma menina, alguma paquera. Era esse seu ponto fraco: mulheres.
Namorou algumas meninas bonitas da cidade, mas seu habitat era a zona de Jaraguá, freqüentava religiosamente os cabarés. Waldemar, o dono da zona, ficou íntimo de Mossoró, o rei da noite, era o queridinho de todas as raparigas. Além de bom pagador, tratava a todas com carinho e respeito. Isso enfeitiçou as mundanas acostumadas com muitos clientes grosseiros.
Numa noitada na Boate Tabaris, onde hoje funciona a Faculdade de Alagoas – FAL, ele me contou a história do apelido: “Waldemar Fôsse Mãe”.
Quem não tem uma prima, uma tia, uma parenta que de quando em vez, se hospeda em sua casa? Pois Waldemar também tinha na época de sua adolescência. Sua tia Leninha passava alguns dias na fazenda da irmã, em Santo Amaro da Purificação. No mês de janeiro a fazenda se enchia de parentes e aderentes. Mas tia Leninha tinha o privilégio em ter um quarto exclusivo, bem junto ao principal banheiro da casa grande. Certa noite, Waldemar acordou-se com a bexiga cheia. Para entrar no banheiro tinha que atravessar o quarto da tia Leninha. Ao abrir cuidadosamente a porta, Waldemar teve uma taquicardia quando viu sua amada tia deitada em decúbito dorsal, apenas de calcinha preta, dormindo como um neném. Com o coração disparado, o sangue fervendo, andou na ponta dos pés em direção ao banheiro sem perder de vista aquela bunda magnífica coberta apenas por uma minúscula calcinha. Entrou no banheiro, fez o serviço, voltou no mesmo ritual. Pecou sozinho entre os lençóis de sua cama.
No outro dia, no café da manhã, sua tia cochichou no ouvido: “Eu lhe vi, ontem à noite!” Waldemar não conseguiu sossegar o espírito, durante todo o dia vinha-lhe a imagem da tia deitada na cama, o detalhe da calcinha de renda preta lhe excitava, lhe deixava louco.
O ritual se repetiu por mais três noites. Ele se levantava, passava pelo quarto da tia, ficava contemplando aquela beleza. Só sossegava na cama entre suas mãos. Tia Leninha, durante o dia, continuou provocando com olhares lânguidos e sorrisos marotos.
No quinto dia, Waldemar estava a ponto de bala, só pensava na tia. Havia passado da meia-noite quando ele abriu a porta do quarto. Sua tia estava deitada, nua em pelo. Ele endoidou, não conseguiu se segurar, quando se deu, estava por cima da tia, que o segurou repreendendo: “Sou sua Tia, menino!!””
Ele virou-a. Antes de beijar na boca, deu um grito: “FÔSSE MÃE!!!!!!!!!!!!!!!!!”. A tia lhe abraçou às gargalhadas, arranhando suas costas.
Pela manhã, feliz da vida, contou sua aventura, entre juras de segredo, em maior confidência, a seu amigo mais íntimo, o Bilau. A partir desse dia até hoje em Santo Amaro da Purificação, nosso herói ficou conhecido como “Waldemar Fôsse Mãe”




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