4.10.06

POR NOVENTA CENTAVOS

Na linda cidade de Paraty, eu ouvi uma versão dessa história muito bem contada pelo grande João Ubaldo Ribeiro no “lepitope” do João Jorge Amado.
Acontece que tive um privilégio: o personagem da história, meu primo, Roberval Peixoto, contou-me como o fato se deu, a versão verdadeira.
Tudo começou ano passado durante um congresso, quando 5 mil lojistas inauguraram o novo Centro de Convenções de Maceió. Manoela, bela morena, 21 aninhos, única filha do viúvo Peixoto, trabalhou como recepcionista.
Ao bater o olho nela, Waldemar, um riquíssimo comerciante no varejo da Bahia, ficou encantado. O olhar da morena fuzilou o coração daquele coroa que se recuperava de uma separação. Durante o congresso Waldemar passou diversas vezes no boxe de Manoela para vê-la, conversar e paquerar. Ela sentiu-se feliz por ser cortejada pelo senhor gentil e mais velho. No último dia do encontro, a empresa de Waldemar ofereceu um passeio numa escuna aos clientes, ele aproveitou e convidou algumas recepcionistas.
Passava do meio-dia, um lindo domingo de sol, Waldemar e amigos conversavam descontraídos, uísque e tira-gosto, na escuna do Caio ainda ancorada no cais da Barra de S. Miguel, quando de repente chegaram as recepcionistas. Ao ver Manoela de tanga se estirar na proa em decúbito dorsal, Waldemar ficou alucinado, era a bunda mais bonita que jamais vira.
Durante o passeio pelos mares, rios e lagoas no estuário do Rio São Miguel, na praia do Gunga, Waldemar conversava e não tirava o olho do belo traseiro de Manoela, a calipígia.
Ainda em Maceió na segunda-feira antes de viajar para Bahia, Waldemar convidou Manoela para almoçar no Massarella. Eles se deram bem.
Durante a semana o baiano telefonou várias vezes. Na noite da sexta-feira ele aterrizou em Maceió. Prometeu muito amor, muita paixão à morena. Ela não cedeu aos apelos de um motel. Com dois meses de paquera insistente, Waldemar num rompante, pediu-a em casamento.
Manoela contou o caso para o pai. Ele não gostou. Aconselhou a filha procurar uma pessoa mais jovem, não daria certo com um baiano desconhecido. Mas Waldemar era insistente, telefonou para Peixotinho. No encontro falaram apenas em negócio. Ele estava montando uma locadora de automóveis em Maceió e precisava de alguém de confiança para supervisionar os trabalhos, e como só conhecia Manoela na cidade, convidava o pai, aposentado, para esse emprego. Ou seja, um salário de R$ 8 mil para fiscalizar funcionários.
Assim que chegaram os 30 carros da locadora, deram uma sala para Peixotinho. O trabalho não era estressante, o salário ótimo, logo arranjou uma amante, menina nova. Adorou e tornou-se amigo íntimo do futuro genro.
Waldemar e Manoela casaram-se na Igreja Verde. Foram morar em Salvador; eram felizes. A filha visitava constantemente Maceió. No último natal, o pai notou alguma tristeza em Manoela. Até que ela confessou:
-Meu pai, acho que vou me separar do Waldemar!
Peixotinho tomou um susto, ficou preocupado.
- Ele lhe bateu? Lhe machucou? É outra mulher?
- Não meu pai, Waldemar me trata bem, é carinhoso, atencioso comigo, o grande problema é que, pasme! Ainda estou virgem!!
O pai colocou a mão na cabeça, quis saber de mais detalhes.
- Será que ele é bicha? Ou broxa?
- Não...Ele é tarado! Esse é o problema, nesses seis meses ele transou quase todos os dias. Por trás, por trás. Só por trás! entendeu?
Peixotinho se aliviou, e tentou amenizar o problema.
-Minha filha, por trás também é normal, são preferências de cada um.
Manoela para encurtar a conversa vez uma comparação
- Porque não é com você! Eu que sei. Antes de me casar, uma pequena moeda de 10 centavos não entrava em mim, no meu fiofó. Hoje se enfiar a maior moeda, a de um real, tenho certeza que ela entra folgada.
O pai respirou aliviado, e saiu com o brilhante argumento.
-Mas minha filha você se separar de um homem bom e gentil como Waldemar, por noventa centavos???? Tenha calma, paciência.
Peixotinho conversou com o genro. Waldemar atendeu os apelos do sogro tão bem, que Manoela espera um filho nesse outubro. Entretanto, o marido não deixou de lado suas preferências. Quanto à Manoela, se pudesse comparar, a diferença já está bem maior que os noventa centavos.
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