29.9.06

A MORENA DO REBOQUE

Pedrão nasceu na cidade de Maragogi. Criou-se correndo pelas praias, trepando nos coqueiros e mergulhando no mar azul esverdeado. Um dia, seu pai resolveu morar na capital onde os três filhos teriam melhores oportunidades de estudo. No início foi um drama morar na casa apertada no bairro do Jacintinho, onde Seu Manoel, o pai, montou uma barraca de frutas e com ela conseguiu com muita dificuldade educar os filhos.

Pedrão quando terminou a Faculdade de Engenharia com 20 anos tinha 1:86 metros de altura, jogava voleibol pela Fênix, o clube mais sofisticado e rico do estado. Na Fênix conheceu Cecília. Foi uma paixão repentina, e tornou-se mais forte devido à proibição do namoro pela família. Descobriram que Pedrão era filho de um barraqueiro no Jacintinho.

Cecília engravidou, não houve jeito, a família além de rica era religiosa e preconceituosa. Casaram-se com separação de bens. Pedrão teve que assinar muitos papéis para entrar na família de 400 anos.

Deram-lhe um emprego, ótimo salário, na construtora do grupo. Assim nosso amigo viveu por mais de 25 anos. Ganhava bem, trabalhava mais ainda, sempre teve excelente produtividade como engenheiro. Nunca a família sequer cogitou em colocá-lo como sócio. A sogra e alguns cunhados o esnobavam por sua origem humilde. No início do casamento ainda desabafava com a mulher, mas quando Cecília tornou-se uma mulher madura, acabou sua doçura, só pensava em dinheiro e acumular imóveis. Durante esse período ele teve algumas brigas, duas vezes saiu de casa. As brigas eram sempre por dinheiro e posses. Cecília passava na cara a diferença das origens.

Os dois filhos cresceram, a mais velha é bióloga e vive no Canadá estudando e dando para todo mundo, tem uma vida libertina para o desgosto dos pais. Mesmo assim Aninha é apegada a Pedrão que nunca negou apoio à filha.

No verão do ano passado, depois de uma discussão com a ranzinza Cecília, Pedrão pegou seu belo Corolla, foi rodar sem rumo pelo litoral como gostava de fazer para espairecer. De repente estava chegando em Maragogi. Eram duas da tarde, hora de comer uma lagosta na manteiga no restaurante do Mano em São Bento. Ao encostar o carro, se distraiu e bateu na traseira de um reboque que desmoronou, espatifando-se no chão, rolando coco para todo lado. No mesmo instante ele viu alguém sair do fiat velho atrelado ao reboque. Tomou um susto quando surgiu uma bela morena, parecendo entre 30 a 40 anos. Saiu do carro, dirigindo-se a ele, às gargalhadas:

“-Moço olhe o que você fez com meu reboque e meus coquinhos...”

Pedrão se prontificou. Pagava tudo, não queria briga, principalmente com ela que foi tão afável. Ele pensava que ia surgir alguém do carro com um revólver, ou um cacete para brigar e saiu aquela mulher bem humorada, parecendo estar de bem com a vida, levando até na brincadeira aquele acidente em que perdeu seu reboque. Depois de calcular os prejuízos, Pedrão assinou o cheque na hora. E foi comer sua lagosta. Ao pedir a primeira cerveja, notou que a morena do reboque sentou-se numa mesa com uma amiga. Momentos depois Pedrão foi conversar com as duas. Divertiu-se, deu gargalhadas como nunca mais tinha feito. A alegre morena, Laura, era viúva sem filho. Seu marido havia deixado um sítio de coqueiros, de onde tirava seu sustento.

Passaram a tarde conversando e por conta da bebida e empatia entre os dois, rolou uma paquera. À noite, meio bêbados se hospedaram no Hotel Salinas, onde fizeram amor até adormecer.

Semana passada Pedrão contou-me sua história. Hoje vive com Laurinha, a paixão de sua vida. Largou a mulher, o bom emprego, o corolla. Vive no sítio em Maragogi ajudando a mulher na administração. Acorda com os galos cantando e com os carinhos de sua amada. Pela manhã lê algum livro, entra na internet, assiste o noticiário na TV. Mais tarde caminha na praia, toma um banho de mar, come uma moqueca preparada pela mulher amada. À noite vai conversar e escutar histórias com os moradores e pescadores do povoado, tomando talagadas de cachaça até deitar-se nos braços da amada.

Só agora descobriu a felicidade. Ele que tanto trabalhou, tentou se realizar com dinheiro, foi escravo do poder e da riqueza, descobriu que para felicidade basta tão pouco. Apenas um sítio de coqueiros, uma praia de areia branca, um mar que não tem tamanho, o dia para vadiar, e o amor da morena do reboque.

CARLITO LIMA – SITE: http://www.carlitolima.com.br

24.9.06

ROSINHA DE IPIOCA

Desde menina Rosana ajudava sua mãe Rosália na lavagem de roupas. Eram as lavadeiras preferidas dos veranistas e moradores da praia de Ipioca. Viviam numa casa de taipa no Alto, perto do local aonde nasceu o presidente Floriano Peixoto. Pela manhã Rosana amarrava a trouxa, descia para a entrega de roupas lavadas nas casas dos grã-finos que se divertiam na praia, ou em suas jangadas e lanchas aportadas nas piscinas naturais formadas por arrecifes dentro do mar verde-azulado no litoral norte alagoano.
Foi durante a Copa do Mundo de 1982. O Brasil ganhou da Argentina 3x1, a festa se prolongou noite adentro. Rosana com seus 16 anos, corpo de mulher, morena, vestido de chita, e a euforia de menina travessa, depois de algumas cervejas e muita festa, se entregou ao namorado nas areias mornas da praia tendo como teto apenas um milhão de estrelas cintilantes. Deu seu amor e sua virgindade a Mané das Cabras, amigo de infância e namorado.
Nove meses depois, na Maternidade Santa Mônica nasceu Rosa, uma menina rechonchuda, sorridente, com ar matreiro irradiando alegria.
Mané das Cabras era apelido do jovem Manoel da Silva por ter sido apanhado em flagrante com uma cabra. Quando Rosa nasceu ele já havia se arribado para o sul do país. Tocava violão e cantava, queria ser músico famoso da Rede Globo. Rosa teve em seu registro, pai desconhecido. Era mais uma na família de lavadeiras. Teve uma infância intensa, divertida, pelas praias e nos sítios de coqueiros da vizinhança. Jogava futebol com os meninos, subia em coqueiros como nenhum de seus amigos. Era conhecida em toda redondeza por sua sapequice, alegria e simpatia, lhe chamavam de Rosinha de Ipioca. Quando tomou corpo de mulher, aos 15 anos, chamava atenção por sua sensualidade. Tornou-se uma morena bonita, rosto arredondado, cabelos negros e crespos, nariz meio achatado, olhos amendoados, negros, de uma vivacidade incontrolável, e os lábios grossos pareciam constantemente molhados. Estudou no grupo escolar e teve a inclinação de ler romances, contos, poesias. Menina romântica se apaixonou por um belo rapaz filho de um rico comerciante. Gustavo, louro, olhos azuis contrastava com a beleza morena de Rosa. A atração entre os dois terminou num quarto da mansão de praia da família. Quando souberam do desvirginamento de uma menor de idade, os pais receosos mandaram o galeguinho do olho azul estudar em São Paulo. Foi a primeira decepção amorosa. Rosinha prometeu-se jamais se apaixonar.
Levou uma juventude livre, cuidou-se para não engravidar. Namoradeira, os homens se encantavam com seu o corpo, a beleza, a sabedoria na cama. Os sortudos que tiveram a ventura de passar uma noite em seus braços gravaram para sempre a desbragada noitada de amor. O frescor da boca de Rosa ficou impregnado na mente, no âmago de quem experimentou. Ninguém, jamais esqueceu um simples beijo de Rosinha de Ipioca.
Foi nessa época que Beto, um famoso arquiteto separou-se da mulher. Deixou-a com o filho no apartamento e foi morar com um amigo de infância. Bruno, solteirão, morava na praia de Ipioca para ter preservada sua intimidade de homossexual. Beto, apesar da amizade, nunca teve relacionamento sexual com Bruno, se respeitavam, eram amigos, muito amigos, quase irmãos.
Certa tarde de sábado Beto tomava cerveja com a namorada e convidados na varanda da casa. Teve uma alegre surpresa quando entrou aquela jovem com trouxa de roupa na cabeça. Rosa abriu a portinhola da frente sorrindo:
- Bruno!!!!!!Brunoca olha a roupa limpinha pra você sujar de novo!!!!
Seu sorriso enfeitiçou o novo morador. Beto acompanhou Rosa e ajudou a colocar a trouxa na cama. Rosinha ficou encantada com a gentileza daquele homem. Senhor educado, bonito, e gentil; uma raridade entre os homens conhecidos. O arquiteto acertou também, a lavagem de suas roupas.
Três semanas depois desse fato, Beto e Rosinha já dormiam juntos nos alvíssimos lençóis lavados e passados por Rosália e Rosana. Foi a melhor época da vida Beto. Toda manhã ele ia trabalhar no seu escritório de arquitetura no centro da cidade, só chegava à noite na casa de Ipioca, cansado, mas no fundo, na maior ansiedade de ter Rosa em seus braços. Vida encantadora, sem preconceitos, sem temores ou disputa de uma esposa impertinente e cobradora. Aliás, houve um bendito preconceito. Beto certa vez quis virar o disco, fazer o anal, mas Rosa tinha verdadeiro pavor, dava tudo que quisesse, menos isso. Ele respeitou sua opinião, sua determinação. Rosa percebeu frustração em Beto pela recusa. Na sexta-feira quando o arquiteto chegou do trabalho ávido em carinhos de seu amor, Rosa estava acompanhada de uma morena bonita tomando cerveja na varanda da casa. Apresentou Gal com um sorriso maroto. Quando pôde, cochichou no ouvido:
- Você não gosta de ir por trás? A Graça adora essa safadeza. Eu lhe trouxe de presente. Não me importo.
A partir desse dia Beto dormiu com as duas. Passou mais de um ano bígamo, aliás, ele dizia estar num paraíso, num sonho; interrompido quando viajou para um curso de quatro meses na França. Como quem vai pro ar perde o lugar, ao voltar, Rosinha havia se casado, já morava em Munique.
O romance de Rosa iniciou no dia da vitória do pentacampeonato depois do jogo Brasil 2 x 0 Alemanha. Alguns amigos foram para casa de um simpático alemão apaixonado por Alagoas, morador e curtidor da praia de Riacho Doce, era também festa de despedida, o alemão estava voltando para sua terra. Clemens quando foi apresentado à Rosinha não só ficou encantado, disse para si mesmo que aquela menina era o amor de sua vida, apesar da diferença de idade. Dois meses depois ela viajou de mala e cuia para Munique; casaram-se. Nesses últimos quatro anos Rosa teve uma filha, e passa dois ou três meses por ano em Maceió matando a saudade da terra, da mãe e da avó que hoje moram num confortável apartamento na Jatiúca.
O destino fez com que o alemão recentemente comprasse uma enorme casa exposta à venda por um decadente comerciante à beira-mar em Ipioca. A mesma mansão do desvirginamento está passando por reformas. A família Clemens virá assistir a Copa do Mundo da Alemanha pela televisão e curtir a praia de Ipioca em sua nova casa. O projeto da reforma e a administração da obra foram entregues a um amigo de Clemens, padrinho da filha Rose e ex-amor de Rosa, Beto, o arquiteto, que semana passada no Banco do Brasil me contou essa bonita história dos amores de Rosinha de Ipioca.

15.9.06

Waldemar “Fôsse Mãe”

Waldemar aportou em Maceió nos anos 60, arribou de Santo Amaro da Purificação, terra que se tornou “celebridade” por conta de Caetano e Bethânia. Muitos baianos vinham tentar vestibular de engenharia em Alagoas pensando ser mais fácil. Waldemar penou com três tentativas seguidas. Depois de algum tempo conseguiu se formar em alguma faculdade. Hoje é engenheiro aposentado da rede ferroviária.
Naquela época Waldemar morava no Hotel Atlântico, praia da Avenida da Paz. Em vez de estudar, vivia na praia organizando “baba”, pelada como chamam os baianos, e paquerando as meninas pudicas que vestiam comportados maiôs.
Ele não teve coragem de falar para os pais que foi reprovado no vestibular. Foi uma festa de arromba quando voltou à fazenda do velho. Todos crentes que nosso amigo retornava para Maceió para cursar engenharia.
Assim Waldemar passou três anos em Maceió vagabundeando com uma boa mesada. Ele gostava de se exibir pagando uma conta aqui outra acolá. Fez boas amizades por conta disso, e de sua simpatia.
Acordava-se por volta das 9 horas da manhã. Tomava o café matinal no Hotel Atlântico e descia à praia da Avenida com uma bola couraça. Na extensa areia dura da praia dava um chute para cima, era o sinal que havia chegado, começava o baba entre os desocupados que ficavam esperando pela pelada do “Baiano”. Depois da pelada e de um bom banho de mar com direito a algumas braçadas para estirar os músculos, Waldemar procurava alguma menina, alguma paquera. Era esse seu ponto fraco: mulheres.
Namorou algumas meninas bonitas da cidade, mas seu habitat era a zona de Jaraguá, freqüentava religiosamente os cabarés. Waldemar, o dono da zona, ficou íntimo de Mossoró, o rei da noite, era o queridinho de todas as raparigas. Além de bom pagador, tratava a todas com carinho e respeito. Isso enfeitiçou as mundanas acostumadas com muitos clientes grosseiros.
Numa noitada na Boate Tabaris, onde hoje funciona a Faculdade de Alagoas – FAL, ele me contou a história do apelido: “Waldemar Fôsse Mãe”.
Quem não tem uma prima, uma tia, uma parenta que de quando em vez, se hospeda em sua casa? Pois Waldemar também tinha na época de sua adolescência. Sua tia Leninha passava alguns dias na fazenda da irmã, em Santo Amaro da Purificação. No mês de janeiro a fazenda se enchia de parentes e aderentes. Mas tia Leninha tinha o privilégio em ter um quarto exclusivo, bem junto ao principal banheiro da casa grande. Certa noite, Waldemar acordou-se com a bexiga cheia. Para entrar no banheiro tinha que atravessar o quarto da tia Leninha. Ao abrir cuidadosamente a porta, Waldemar teve uma taquicardia quando viu sua amada tia deitada em decúbito dorsal, apenas de calcinha preta, dormindo como um neném. Com o coração disparado, o sangue fervendo, andou na ponta dos pés em direção ao banheiro sem perder de vista aquela bunda magnífica coberta apenas por uma minúscula calcinha. Entrou no banheiro, fez o serviço, voltou no mesmo ritual. Pecou sozinho entre os lençóis de sua cama.
No outro dia, no café da manhã, sua tia cochichou no ouvido: “Eu lhe vi, ontem à noite!” Waldemar não conseguiu sossegar o espírito, durante todo o dia vinha-lhe a imagem da tia deitada na cama, o detalhe da calcinha de renda preta lhe excitava, lhe deixava louco.
O ritual se repetiu por mais três noites. Ele se levantava, passava pelo quarto da tia, ficava contemplando aquela beleza. Só sossegava na cama entre suas mãos. Tia Leninha, durante o dia, continuou provocando com olhares lânguidos e sorrisos marotos.
No quinto dia, Waldemar estava a ponto de bala, só pensava na tia. Havia passado da meia-noite quando ele abriu a porta do quarto. Sua tia estava deitada, nua em pelo. Ele endoidou, não conseguiu se segurar, quando se deu, estava por cima da tia, que o segurou repreendendo: “Sou sua Tia, menino!!””
Ele virou-a. Antes de beijar na boca, deu um grito: “FÔSSE MÃE!!!!!!!!!!!!!!!!!”. A tia lhe abraçou às gargalhadas, arranhando suas costas.
Pela manhã, feliz da vida, contou sua aventura, entre juras de segredo, em maior confidência, a seu amigo mais íntimo, o Bilau. A partir desse dia até hoje em Santo Amaro da Purificação, nosso herói ficou conhecido como “Waldemar Fôsse Mãe”

11.9.06

O AZAR DO ALCIDES

Morgana é uma mulher extremamente ciumenta, fica revirando os bolsos do marido para encontrar bilhetinho, se chega perto quando ele fala no celular; quer saber onde foi, onde não foi, gasta toda liturgia de uma esposa transtornada pelo ciúme. Até que Morgana tem suas razões. Alcides, o marido, desde jovem é metido a conquistador, magro, bem vestido, bigodinho a Clarck Gable, cabeleira cheia, típico galã dos anos 50. Tem seu fã-clube entre as coroas desesperadas. Certa vez Morgana, desconfiada, contratou um detetive. Audálio descobriu tudo: Alcides estava de caso com a viúva de um amigo de repartição que havia morrido atropelado por uma bicicleta. Depois do escândalo de Germana, Alcides morou três meses numa pensão perto da rodoviária, até que seus dois filhos pediram para reconciliar. Morgana aceitou a condição imposta pelo marido: nunca se referir sobre o caso de Dona Gerusa, a viúva consolada. Germana não agüenta, por via indireta, até por metáfora, relembra o caso quando quer fazer picuinhas com Alcides.

Hoje nosso amigo se aquietou. Como funcionário público criou os filhos com dificuldades, tem uma casa financiada, e conseguiu adquirir um terreno na praia de Tatuamunha onde construiu um cacete armado e plantou algumas árvores. É sua distração, sua curtição de fim de semana.

Dona Germana às vezes acompanha o marido nas visitas ao sítio como ele chama seu terreno de 15 x 30. Geralmente ele vai sozinho.

Semana passada, pela madrugada encheu o tanque do Fiat-96, reparou óleo, água, pneu, e viajou 90 minutos ouvindo cds de Nelson Gonçalves, pelo belíssimo litoral norte das Alagoas. Na Usina Santo Antônio entrou para estrada à beira mar cortando bucólicos lugarejos até sua bela e amada praia de Tatuamunha. Nesse pedaço de estrada Alcides se eleva, diz que o exuberante coqueiral beirando o mar azul-turquesa-esverdeado faz aquela região, a mais bela do universo. Para Alcides, o paraíso é ali.

Depois de tratar suas frutas, limpar o biombo, conversar com Gunga, o caseiro da região, Alcides, mergulhou em gostoso banho de mar nas águas mornas, entre pequenos recifes, piscinas naturais quase à beira-mar.

Às 14 horas, a fome apertou, hora da volta com parada na praia de Porto da Rua, onde comeu uma bela peixada, engolindo algumas talagadas de Pitu, sua cachaça preferida.

Eram três da tarde quando se arribou rumo à Maceió. Vontade de ficar, dormir em sua rede, olhando o céu estrelado de Tatuamunha, mas havia prometido levar a esposa a um churrasco noturno na casa de sua gorda cunhada. Ao passar pela praia de Paripueira ele sentiu a primeira fisgada de cólica, deu três tapas na barriga, olhou o relógio do carro, dava para chegar em tempo, antes de deflagrar sua diarréia crônica, que estava aparecendo com mais freqüência. O carrinho valente puxava 90 km por hora, enquanto as dores se achegavam mais rápidas. Arrependeu-se de ter se refestelado com a peixada ao coco. Ele tem rejeição, alergia a tudo que leva coco, estava pensando sobre isso quando doeu uma cólica aguda, começou a suar frio, e o corpo amolecer. Estava passando pela praia de Jacarecica, não agüentava mais a dor, suando, pálido. De repente percebeu uma propaganda de um motel: R$ 10,00 por uma hora. Não teve dúvida, puxou a direção para direita, pediu um apartamento. Alcides ao entrar foi tirando a bermuda e cueca. Quando se abaixou para desabotoar o tênis, não deu tempo; saiu aquele barulho de bufa, esparramou merda por todo canto, até na parede. Correu e fez o restante do serviço no vaso. Depois de mais de 30 minutos sentado no trono aliviou-se totalmente. O motel cobrou mais R$ 20,00 pela limpeza extra. Vendo o estrago, foi barato!

Pelo cúmulo da falta de sorte, quando Alcides saía distraidamente do motel, uma caminhonete correndo pela estrada bateu no pára-lama do seu carro que rodopiou e foi de encontro a uma mureta. Ele levou uma pancada na cabeça, foi socorrido pela Polícia, levado ao Pronto Socorro, onde foi medicado. Hoje está se recuperando, cheio de hematomas. O seguro vai pagar parte dos estragos do carro. Mas Alcides não consegue convencer a mulher da verdadeira história de sua entrada no motel. Morgana está uma fera. Recusou-se a ouvir o testemunho da administradora do motel, quer nem saber, vive perguntando quem é a nova rapariga, e promete que vai lhe dar uma surra. Como diz Tia Dulce, o azar nunca vem sozinho.