1.11.06

O SORRISO DE NAZARÉ

Na fila da loteria do Iguatemi Ernesto contemplava o belo pescoço da senhora em sua frente. De repente a coroa virou o rosto, ele reconheceu Nazaré, ficou feliz ao rever o grande amor de sua juventude.

Não pararam mais de conversar. Depois continuaram contando suas vidas sentados num banquinho. Há muitos anos não se viam.

- E aí Ernesto continua mulherengo?

-Hoje estou solteiro. Dois casamentos não deram certos. Sou ainda o romântico incorrigível procurando alguém para lhe substituir. Nunca encontrei.

- Você é um danado! Sempre gentil!

- Não é gentileza Naza. Depois de tantos anos, sou um sessentão e você beirando; uma mulher casada, respeito seu marido, mas posso dizer sem mágoa, você sempre foi a mulher de minha vida, nunca lhe esqueci, conservo esse amor bonito dentro de mim. Esse negócio de dizer que sou mulherengo é verdade, depois que você casou-se no dia 16 de janeiro de 1971, descambei para as raparigas, tornei-me um grande boêmio, tive muitas mulheres, minha vida de mulherengo é fruto da dor-de-cotovelo por você me ter abandonado.

- De fato nosso amor foi bonito, todos falavam em Maceió no nosso namoro, na nossa paixão, e até no avançado no namoro. Naquela época namorados não transavam, mas você queria muito. Uma paixão! Tarado por mim. Precisou eu me segurar muito para continuar virgem.

- Lembra da bóia na praia da Avenida? Eu colocava a bóia de pneu de caminhão dentro dágua, você estirava seu corpo fazendo os braços de remo, me segurava na borda da bóia, por baixo as coisas aconteciam; o problema era não deixar meu calção cair da mão escondido por baixo da bóia. Ninguém percebia. À noite eu ia para as casas de raparigas de Jaraguá. Fazia o serviço pensando em você.

- Sem-vergonha! Menino, como a gente era feliz!

- Como está o Josafá, o homem mais feliz do mundo, o homem que tem você nos braços há 34 anos?

- Ernesto, vou ser sincera, vou desabafar, afinal você é um grande amigo. Vivi bem esses anos com Josafá, casamento normal, não era aquela coisa doida de nosso namoro. Nossos dois filhos estão bem, casados e independentes. Tenho um neto. Ano passado tive duas tristezas na vida: Josafá arranjou uma amante, menina nova, está com ele há três anos. E o pior: descobri um câncer na minha mama. O câncer tenho como tratar, os médicos dizem que posso controlar a doença e viver muitos anos. Mas o meu marido não dá mais para controlar, ele está apaixonado por essa sirigaita. Eu vivo só, ninguém sabe que se passa comigo, vivo indignada dentro de minha dignidade.

Ernesto apertou sua mão, olhou nos seus olhos.

- Minha querida Naza, não agüento isso, deixe a merda desse marido. Eu ainda lhe amo, sempre lhe amarei, estou a sua espera o dia que você quiser, pelo resto da vida. Amanhã estarei viajando, vou passar mais de um mês no navio COSTA MARU, sai amanhã para o Recife, depois Europa. Quando voltar quero conversar com você. Está certo? Você promete que me vê?

Despediram-se com beijo no rosto, um sorriso e um olhar profundo.

Na hora de dormir, Nazaré alisou o corpo do marido, beijou-lhe o pescoço, foi se achegando como pedisse um pouco de carinho, um pouco de atenção. Nesse momento Josafá virou-se com uma cara irada.

-Não dá Nazaré, não quero pegar sua doença. Você está com câncer Nazaré!

Virou-se para o lado e adormeceu. Nazaré foi ao banheiro, chorou sentada no vaso por mais de uma hora, voltou para cama jurando nunca mais chorar pelo acontecido, custou a adormecer.

Eram nove da manhã quando ela se levantou. Tomou café, trocou de roupa, foi ao cabeleireiro, à manicure. No shopping comprou roupas, almoçou. Chegou em casa por volta das três horas, arrumou a mala, escreveu uma carta simples para Josafá. Tomou um táxi.

Ao entardecer o navio desencostava do caís de Maceió. Na balaustrada da proa Ernesto contemplava o mar, o casario da Avenida da Paz se afastando, diminuindo de tamanho. Ele se embevecia encantado com a cor do mar de sua terra quando, de repente, sentiu uma mão por cima da sua; ao olhar de lado teve a mais bela visão de sua vida: o sorriso de Nazaré.

26.10.06

A GUERRA DO TROTTOIR

Segundo o Aurélio, “trottoir” (trotoar) significa exercer a prostituição perambulando pelas calçadas. Há alguns anos atrás em Maceió houve uma polêmica, uma grande celeuma, uma verdadeira guerra à cerca da ocupação das calçadas em frente aos hotéis da Pajuçara. Não me recordo o ano, mas tenho certeza que o fato se deu ainda no governo da prefeita Kátia Born.
As prostitutas tomaram conta das calçadas dos hotéis da belíssima praia de Pajuçara, (onde o mar beija as areias com mais alma e mais amor, segundo o poeta Aldemar Paiva). O ponto era tão bom que os travestis invadiram uma fatia da calçada. Foi a gota dágua para que os hoteleiros da orla iniciassem a briga. Tentaram proibir o “trottoir” em frente a seus estabelecimentos alegando que estava afastando os turistas. As mariposas do amor rebateram alegando que os turistas achavam ótimo as meninas tão perto, às suas mãos; o que afastava turista eram esses travecos, a invasão bárbara dessas bichas nojentas em seus pontos de faturamento. Os travestis diziam ter os mesmos direitos das prostitutas, aliás, se diziam também mulheres e assim exigiam ser tratados. Por conta disso foi deflagrada a “Guerra do Trottoir.” Geralmente uma guerra divide duas partes, a Guerra do Trottoir, tinham três partes antagônicas, brigando entre si: Os hoteleiros, as putas e as bichas.
Toda noite uma confusão, os hoteleiros chamavam a polícia. Uma briga entre uma rapariga e um traveco ficou famosa. Saíram puxando cabelos e xingando do Hotel do Sol até a esquina do CRB. Os jornais deram cobertura para a guerra instalada a partir das 18 horas nas calçadas da Pajuçara.
O líder dos travestis, de nome Jaciara, parecia uma bela mulher com seu nariz grego, lábios carnudos, vestindo uma saia justa que escondia sua identidade sexual foi bater no PROCOM, na OAB, nos Direitos Humanos, procurando resolver a questão. O trottoir da Praia da Pajuçara estava caminhando para conseqüências mais graves. Por conta disso foi determinado por alguma autoridade competente que a paz seria resolvida em uma reunião com todas as partes presentes.
A reunião da Comissão de Paz foi realizada na OAB com a participação da Polícia Militar, OAB, Direitos Humanos, Câmara de Vereadores, Prefeitura, hoteleiros, e uma comissão das quengas e dos perobos.
A reunião foi iniciada, cada representante deu sua versão. O que mais incomodava às marafonas era a ocupação de seus pontos pelos travecos. Os viados se achavam com direitos iguais às mulheres. Os hoteleiros exigiam todas as tribos longe de seus hotéis. Depois de mais quatro dias de debates, fala de advogados, pedidos de políticos, muita pressão de simpatizantes, ficou determinada uma divisão de área, um loteamento para o trottoir noturno. Os travestis ocupavam seus pontos na Avenida da Paz, as mariposas ficavam na Pajuçara, no outro lado da rua no início do calçadão perto do estacionamento que serve à noite para namoro, para casais se amarem economizando a grana do motel. Houve uma reação das bichas, eles reivindicaram a construção de um estacionamento na Avenida da Paz destinado ao amor igual àquele da praia da Pajuçara. Jaciara em seu discurso final aceitou as determinações do Conselho de Paz com uma reivindicação:
“Para o bem de todas, pela paz, nós ficamos na Avenida da Paz. Pedimos apenas que a Prefeita de Maceió mande construir um estacionamento. Nem todos podem pagar motel. Faz-se necessário esse equipamento urbano, a construção de um local de trabalho, queremos um “chupódromo” para Avenida igual ao da Pajuçara.” Finalizou o traveco batizando adequadamente o estacionamento do amor.
Embora não tenha sido atendida a reivindicação dos travestis, as partes têm obedecido às cotas dos locais determinados.
Recentemente as meninas do trottoir nas imediações do CRB procuraram um conhecido vereador solicitando que o Prefeito Cícero Almeida apague algumas lâmpadas do estacionamento, pois na belíssima reurbanização da orla da Pajuçara, as noites foram contempladas com um banho de iluminação, inclusive no local de trabalho das mariposas, o chupódromo, como bem definiu o boiola, o que vem atrapalhando os serviços discretos prestados pelas meninas. Não por elas, mas pelos clientes que têm acanhamento ou receio de serem identificados pelas chapas dos carros.
O vereador sugeriu à Prefeitura colocar um interruptor, pois duas lâmpadas já foram devidamente quebradas por pedras anônimas.

1ª FESTA LITERÁRIA DE PENEDO

AMIGOS
A APARTIR DESSA DATA ESTAMOS SUSPENDENDO AS NOTÍCIAS DIÁRIAS, FICARÁ APENAS A ESPIA SEMANAL NO FIM DE SEMANA, POR ABSOLUTA FALTA DE TEMPO, TENHO QUE ME DEDICAR EXCLUSIVAMENTE À 1ª FESTA LITERÁRIA DE PENEDO- 1ª FLIPE, CONFORME PRGRAMAÇÃO ABAIXO:



1ª FESTA LITERÁRIA DE PENEDO



1ª FLIPE



30 DE NOVEMBRO
A

1º DE DEZEMBRO

2006



PENEDO ALAGOAS

1ª FESTA LITERÁRIA DE PENEDO

1ª FLIPE

30 DE NOVEMBRO A 3 DE DEZEMBRO 2006


OBJETIVO : Discutir novos caminhos e tendências da literatura nordestina e brasileira. Feira de livros e artes. Política de incentivo à leitura. Formação de novas platéias. Intercambio entre escritores, editores, distribuidores, leitores e principalmente estudantes.



FUNCIONAMENTO, METODOLOGIA : Mesas – palestras no Teatro. Palestras – debates nas escolas. Encenação, poesia ao vivo, contadores de histórias, cordel, feira e lançamento de livros.



PÚBLICO ALVO : Escritores, poetas, historiadores, cronistas, contadores de história, repentistas, teatrólogos, artistas, cineastas, professores, estudantes, editores, livreiros, distribuidores, políticos, colégios, faculdades, secretarias de educação e cultura, fundações, leitores e povo em geral.



LOCAL : Teatro e Escolas do Estado e do Município



REALIZAÇÃO : INSTITUTO FREITAS NETO e REVISTA ELETRÔNICA "ESPIA"



PARCERIAS : GOVERNO DO ESTADO, PREFEITURA DE PENEDO, FUNDAÇÃO RAIMUNDO MARINHO, NOSSA LIVRARIA, UNIMED.



HOMENAGEADO DO 1º FLIPE : SABINO ROMARIZ – o poeta penendese.



COORDENAÇÃO DA FLIPE :

Carlito Lima (082-9881.0199) www.carlitolima.com.br

Geraldo Majella (082-8849-8003) www.majella.com.br

Fernando

Margarida

Carlos Santoro carlossantoro@ig.com.br -9981.3047

Verônica Araújo – 3551.3582

Maria das Graças Santos –3551.5810

Quitéria – 9989-3094





MINUTA DA PROGRAMAÇÃO PROVISÓRIA



Quinta-feira –30 de novembro

Noite

TEATRO 7 DE SETEMBRO

19:00 h. - Abertura do 1º FLIPE pelo governador do Estado, engenheiro Luís Abílio e o Prefeito de Penedo Márcio Beltrão

20:00 h. – Palestra de Abertura-

SABINO ROMARIZ –O poeta de Penedo

Palestrante: Vera Romariz



21:00: "O que é que Penedo tem?" – Companhia Penedense de Teatro

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Sexta-feira – 1º de dezembro

Manhã


Palestras nos colégios

Tarde



Palestras nos colégios
Noite

Palestras na faculdade



PRAÇA - O CORETO EM FESTA

20:00 : Noite de poesia e cantadores de viola



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SÁBADO 2 DE DEZEMBRO



MANHÃ-TARDE

FEIRA DE PENEDO

A PARTIR DAS 10: 00: POESIA POPULAR – CORDEL CANTADOR DE VIOLA – CONTADORES DE HISTÓRIAS POETAS PENEDENSES - CHICO DE ASSIS – PAULO POETA - ZÉ MÁRCIO PASSOS – ZÉ DA FEIRA



NOITE



TEATRO SETE DE SETEMBRO

19:00: Encerramento com palestra de Cristóvam Buarque ou outro convidado

PRAÇA E CORETO

20:30: Noite de poesia e de literatura- declamação.

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PROGRAMAS ALTERNATIVOS DURANTE A 1º FLIPE



1-FEIRA DE LIVROS

2-LANÇAMENTO DE LIVROS

Cláudio Vieira

Geraldo Majella

Vera Romariz
Cláudia Lins

Carlito Lima

Denis Melo

Arriete Vilela

3-PASSEIO DE BARCO NO SÃO FRANCISCO COM PALESTRA SOBRE A CIDADE DE PENEDO

4-PROGRAMAS EDUCATIVOS PARA CRIANÇAS NA PRAÇA - LITERATURA INFANTIL.

5- "OFF FLIPE": NOS BARES E RESTAURANTES: EVENTOS CULTURAIS COM LIVROS, POESIAS E RECITAL.

4.10.06

POR NOVENTA CENTAVOS

Na linda cidade de Paraty, eu ouvi uma versão dessa história muito bem contada pelo grande João Ubaldo Ribeiro no “lepitope” do João Jorge Amado.
Acontece que tive um privilégio: o personagem da história, meu primo, Roberval Peixoto, contou-me como o fato se deu, a versão verdadeira.
Tudo começou ano passado durante um congresso, quando 5 mil lojistas inauguraram o novo Centro de Convenções de Maceió. Manoela, bela morena, 21 aninhos, única filha do viúvo Peixoto, trabalhou como recepcionista.
Ao bater o olho nela, Waldemar, um riquíssimo comerciante no varejo da Bahia, ficou encantado. O olhar da morena fuzilou o coração daquele coroa que se recuperava de uma separação. Durante o congresso Waldemar passou diversas vezes no boxe de Manoela para vê-la, conversar e paquerar. Ela sentiu-se feliz por ser cortejada pelo senhor gentil e mais velho. No último dia do encontro, a empresa de Waldemar ofereceu um passeio numa escuna aos clientes, ele aproveitou e convidou algumas recepcionistas.
Passava do meio-dia, um lindo domingo de sol, Waldemar e amigos conversavam descontraídos, uísque e tira-gosto, na escuna do Caio ainda ancorada no cais da Barra de S. Miguel, quando de repente chegaram as recepcionistas. Ao ver Manoela de tanga se estirar na proa em decúbito dorsal, Waldemar ficou alucinado, era a bunda mais bonita que jamais vira.
Durante o passeio pelos mares, rios e lagoas no estuário do Rio São Miguel, na praia do Gunga, Waldemar conversava e não tirava o olho do belo traseiro de Manoela, a calipígia.
Ainda em Maceió na segunda-feira antes de viajar para Bahia, Waldemar convidou Manoela para almoçar no Massarella. Eles se deram bem.
Durante a semana o baiano telefonou várias vezes. Na noite da sexta-feira ele aterrizou em Maceió. Prometeu muito amor, muita paixão à morena. Ela não cedeu aos apelos de um motel. Com dois meses de paquera insistente, Waldemar num rompante, pediu-a em casamento.
Manoela contou o caso para o pai. Ele não gostou. Aconselhou a filha procurar uma pessoa mais jovem, não daria certo com um baiano desconhecido. Mas Waldemar era insistente, telefonou para Peixotinho. No encontro falaram apenas em negócio. Ele estava montando uma locadora de automóveis em Maceió e precisava de alguém de confiança para supervisionar os trabalhos, e como só conhecia Manoela na cidade, convidava o pai, aposentado, para esse emprego. Ou seja, um salário de R$ 8 mil para fiscalizar funcionários.
Assim que chegaram os 30 carros da locadora, deram uma sala para Peixotinho. O trabalho não era estressante, o salário ótimo, logo arranjou uma amante, menina nova. Adorou e tornou-se amigo íntimo do futuro genro.
Waldemar e Manoela casaram-se na Igreja Verde. Foram morar em Salvador; eram felizes. A filha visitava constantemente Maceió. No último natal, o pai notou alguma tristeza em Manoela. Até que ela confessou:
-Meu pai, acho que vou me separar do Waldemar!
Peixotinho tomou um susto, ficou preocupado.
- Ele lhe bateu? Lhe machucou? É outra mulher?
- Não meu pai, Waldemar me trata bem, é carinhoso, atencioso comigo, o grande problema é que, pasme! Ainda estou virgem!!
O pai colocou a mão na cabeça, quis saber de mais detalhes.
- Será que ele é bicha? Ou broxa?
- Não...Ele é tarado! Esse é o problema, nesses seis meses ele transou quase todos os dias. Por trás, por trás. Só por trás! entendeu?
Peixotinho se aliviou, e tentou amenizar o problema.
-Minha filha, por trás também é normal, são preferências de cada um.
Manoela para encurtar a conversa vez uma comparação
- Porque não é com você! Eu que sei. Antes de me casar, uma pequena moeda de 10 centavos não entrava em mim, no meu fiofó. Hoje se enfiar a maior moeda, a de um real, tenho certeza que ela entra folgada.
O pai respirou aliviado, e saiu com o brilhante argumento.
-Mas minha filha você se separar de um homem bom e gentil como Waldemar, por noventa centavos???? Tenha calma, paciência.
Peixotinho conversou com o genro. Waldemar atendeu os apelos do sogro tão bem, que Manoela espera um filho nesse outubro. Entretanto, o marido não deixou de lado suas preferências. Quanto à Manoela, se pudesse comparar, a diferença já está bem maior que os noventa centavos.
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29.9.06

A MORENA DO REBOQUE

Pedrão nasceu na cidade de Maragogi. Criou-se correndo pelas praias, trepando nos coqueiros e mergulhando no mar azul esverdeado. Um dia, seu pai resolveu morar na capital onde os três filhos teriam melhores oportunidades de estudo. No início foi um drama morar na casa apertada no bairro do Jacintinho, onde Seu Manoel, o pai, montou uma barraca de frutas e com ela conseguiu com muita dificuldade educar os filhos.

Pedrão quando terminou a Faculdade de Engenharia com 20 anos tinha 1:86 metros de altura, jogava voleibol pela Fênix, o clube mais sofisticado e rico do estado. Na Fênix conheceu Cecília. Foi uma paixão repentina, e tornou-se mais forte devido à proibição do namoro pela família. Descobriram que Pedrão era filho de um barraqueiro no Jacintinho.

Cecília engravidou, não houve jeito, a família além de rica era religiosa e preconceituosa. Casaram-se com separação de bens. Pedrão teve que assinar muitos papéis para entrar na família de 400 anos.

Deram-lhe um emprego, ótimo salário, na construtora do grupo. Assim nosso amigo viveu por mais de 25 anos. Ganhava bem, trabalhava mais ainda, sempre teve excelente produtividade como engenheiro. Nunca a família sequer cogitou em colocá-lo como sócio. A sogra e alguns cunhados o esnobavam por sua origem humilde. No início do casamento ainda desabafava com a mulher, mas quando Cecília tornou-se uma mulher madura, acabou sua doçura, só pensava em dinheiro e acumular imóveis. Durante esse período ele teve algumas brigas, duas vezes saiu de casa. As brigas eram sempre por dinheiro e posses. Cecília passava na cara a diferença das origens.

Os dois filhos cresceram, a mais velha é bióloga e vive no Canadá estudando e dando para todo mundo, tem uma vida libertina para o desgosto dos pais. Mesmo assim Aninha é apegada a Pedrão que nunca negou apoio à filha.

No verão do ano passado, depois de uma discussão com a ranzinza Cecília, Pedrão pegou seu belo Corolla, foi rodar sem rumo pelo litoral como gostava de fazer para espairecer. De repente estava chegando em Maragogi. Eram duas da tarde, hora de comer uma lagosta na manteiga no restaurante do Mano em São Bento. Ao encostar o carro, se distraiu e bateu na traseira de um reboque que desmoronou, espatifando-se no chão, rolando coco para todo lado. No mesmo instante ele viu alguém sair do fiat velho atrelado ao reboque. Tomou um susto quando surgiu uma bela morena, parecendo entre 30 a 40 anos. Saiu do carro, dirigindo-se a ele, às gargalhadas:

“-Moço olhe o que você fez com meu reboque e meus coquinhos...”

Pedrão se prontificou. Pagava tudo, não queria briga, principalmente com ela que foi tão afável. Ele pensava que ia surgir alguém do carro com um revólver, ou um cacete para brigar e saiu aquela mulher bem humorada, parecendo estar de bem com a vida, levando até na brincadeira aquele acidente em que perdeu seu reboque. Depois de calcular os prejuízos, Pedrão assinou o cheque na hora. E foi comer sua lagosta. Ao pedir a primeira cerveja, notou que a morena do reboque sentou-se numa mesa com uma amiga. Momentos depois Pedrão foi conversar com as duas. Divertiu-se, deu gargalhadas como nunca mais tinha feito. A alegre morena, Laura, era viúva sem filho. Seu marido havia deixado um sítio de coqueiros, de onde tirava seu sustento.

Passaram a tarde conversando e por conta da bebida e empatia entre os dois, rolou uma paquera. À noite, meio bêbados se hospedaram no Hotel Salinas, onde fizeram amor até adormecer.

Semana passada Pedrão contou-me sua história. Hoje vive com Laurinha, a paixão de sua vida. Largou a mulher, o bom emprego, o corolla. Vive no sítio em Maragogi ajudando a mulher na administração. Acorda com os galos cantando e com os carinhos de sua amada. Pela manhã lê algum livro, entra na internet, assiste o noticiário na TV. Mais tarde caminha na praia, toma um banho de mar, come uma moqueca preparada pela mulher amada. À noite vai conversar e escutar histórias com os moradores e pescadores do povoado, tomando talagadas de cachaça até deitar-se nos braços da amada.

Só agora descobriu a felicidade. Ele que tanto trabalhou, tentou se realizar com dinheiro, foi escravo do poder e da riqueza, descobriu que para felicidade basta tão pouco. Apenas um sítio de coqueiros, uma praia de areia branca, um mar que não tem tamanho, o dia para vadiar, e o amor da morena do reboque.

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24.9.06

ROSINHA DE IPIOCA

Desde menina Rosana ajudava sua mãe Rosália na lavagem de roupas. Eram as lavadeiras preferidas dos veranistas e moradores da praia de Ipioca. Viviam numa casa de taipa no Alto, perto do local aonde nasceu o presidente Floriano Peixoto. Pela manhã Rosana amarrava a trouxa, descia para a entrega de roupas lavadas nas casas dos grã-finos que se divertiam na praia, ou em suas jangadas e lanchas aportadas nas piscinas naturais formadas por arrecifes dentro do mar verde-azulado no litoral norte alagoano.
Foi durante a Copa do Mundo de 1982. O Brasil ganhou da Argentina 3x1, a festa se prolongou noite adentro. Rosana com seus 16 anos, corpo de mulher, morena, vestido de chita, e a euforia de menina travessa, depois de algumas cervejas e muita festa, se entregou ao namorado nas areias mornas da praia tendo como teto apenas um milhão de estrelas cintilantes. Deu seu amor e sua virgindade a Mané das Cabras, amigo de infância e namorado.
Nove meses depois, na Maternidade Santa Mônica nasceu Rosa, uma menina rechonchuda, sorridente, com ar matreiro irradiando alegria.
Mané das Cabras era apelido do jovem Manoel da Silva por ter sido apanhado em flagrante com uma cabra. Quando Rosa nasceu ele já havia se arribado para o sul do país. Tocava violão e cantava, queria ser músico famoso da Rede Globo. Rosa teve em seu registro, pai desconhecido. Era mais uma na família de lavadeiras. Teve uma infância intensa, divertida, pelas praias e nos sítios de coqueiros da vizinhança. Jogava futebol com os meninos, subia em coqueiros como nenhum de seus amigos. Era conhecida em toda redondeza por sua sapequice, alegria e simpatia, lhe chamavam de Rosinha de Ipioca. Quando tomou corpo de mulher, aos 15 anos, chamava atenção por sua sensualidade. Tornou-se uma morena bonita, rosto arredondado, cabelos negros e crespos, nariz meio achatado, olhos amendoados, negros, de uma vivacidade incontrolável, e os lábios grossos pareciam constantemente molhados. Estudou no grupo escolar e teve a inclinação de ler romances, contos, poesias. Menina romântica se apaixonou por um belo rapaz filho de um rico comerciante. Gustavo, louro, olhos azuis contrastava com a beleza morena de Rosa. A atração entre os dois terminou num quarto da mansão de praia da família. Quando souberam do desvirginamento de uma menor de idade, os pais receosos mandaram o galeguinho do olho azul estudar em São Paulo. Foi a primeira decepção amorosa. Rosinha prometeu-se jamais se apaixonar.
Levou uma juventude livre, cuidou-se para não engravidar. Namoradeira, os homens se encantavam com seu o corpo, a beleza, a sabedoria na cama. Os sortudos que tiveram a ventura de passar uma noite em seus braços gravaram para sempre a desbragada noitada de amor. O frescor da boca de Rosa ficou impregnado na mente, no âmago de quem experimentou. Ninguém, jamais esqueceu um simples beijo de Rosinha de Ipioca.
Foi nessa época que Beto, um famoso arquiteto separou-se da mulher. Deixou-a com o filho no apartamento e foi morar com um amigo de infância. Bruno, solteirão, morava na praia de Ipioca para ter preservada sua intimidade de homossexual. Beto, apesar da amizade, nunca teve relacionamento sexual com Bruno, se respeitavam, eram amigos, muito amigos, quase irmãos.
Certa tarde de sábado Beto tomava cerveja com a namorada e convidados na varanda da casa. Teve uma alegre surpresa quando entrou aquela jovem com trouxa de roupa na cabeça. Rosa abriu a portinhola da frente sorrindo:
- Bruno!!!!!!Brunoca olha a roupa limpinha pra você sujar de novo!!!!
Seu sorriso enfeitiçou o novo morador. Beto acompanhou Rosa e ajudou a colocar a trouxa na cama. Rosinha ficou encantada com a gentileza daquele homem. Senhor educado, bonito, e gentil; uma raridade entre os homens conhecidos. O arquiteto acertou também, a lavagem de suas roupas.
Três semanas depois desse fato, Beto e Rosinha já dormiam juntos nos alvíssimos lençóis lavados e passados por Rosália e Rosana. Foi a melhor época da vida Beto. Toda manhã ele ia trabalhar no seu escritório de arquitetura no centro da cidade, só chegava à noite na casa de Ipioca, cansado, mas no fundo, na maior ansiedade de ter Rosa em seus braços. Vida encantadora, sem preconceitos, sem temores ou disputa de uma esposa impertinente e cobradora. Aliás, houve um bendito preconceito. Beto certa vez quis virar o disco, fazer o anal, mas Rosa tinha verdadeiro pavor, dava tudo que quisesse, menos isso. Ele respeitou sua opinião, sua determinação. Rosa percebeu frustração em Beto pela recusa. Na sexta-feira quando o arquiteto chegou do trabalho ávido em carinhos de seu amor, Rosa estava acompanhada de uma morena bonita tomando cerveja na varanda da casa. Apresentou Gal com um sorriso maroto. Quando pôde, cochichou no ouvido:
- Você não gosta de ir por trás? A Graça adora essa safadeza. Eu lhe trouxe de presente. Não me importo.
A partir desse dia Beto dormiu com as duas. Passou mais de um ano bígamo, aliás, ele dizia estar num paraíso, num sonho; interrompido quando viajou para um curso de quatro meses na França. Como quem vai pro ar perde o lugar, ao voltar, Rosinha havia se casado, já morava em Munique.
O romance de Rosa iniciou no dia da vitória do pentacampeonato depois do jogo Brasil 2 x 0 Alemanha. Alguns amigos foram para casa de um simpático alemão apaixonado por Alagoas, morador e curtidor da praia de Riacho Doce, era também festa de despedida, o alemão estava voltando para sua terra. Clemens quando foi apresentado à Rosinha não só ficou encantado, disse para si mesmo que aquela menina era o amor de sua vida, apesar da diferença de idade. Dois meses depois ela viajou de mala e cuia para Munique; casaram-se. Nesses últimos quatro anos Rosa teve uma filha, e passa dois ou três meses por ano em Maceió matando a saudade da terra, da mãe e da avó que hoje moram num confortável apartamento na Jatiúca.
O destino fez com que o alemão recentemente comprasse uma enorme casa exposta à venda por um decadente comerciante à beira-mar em Ipioca. A mesma mansão do desvirginamento está passando por reformas. A família Clemens virá assistir a Copa do Mundo da Alemanha pela televisão e curtir a praia de Ipioca em sua nova casa. O projeto da reforma e a administração da obra foram entregues a um amigo de Clemens, padrinho da filha Rose e ex-amor de Rosa, Beto, o arquiteto, que semana passada no Banco do Brasil me contou essa bonita história dos amores de Rosinha de Ipioca.

15.9.06

Waldemar “Fôsse Mãe”

Waldemar aportou em Maceió nos anos 60, arribou de Santo Amaro da Purificação, terra que se tornou “celebridade” por conta de Caetano e Bethânia. Muitos baianos vinham tentar vestibular de engenharia em Alagoas pensando ser mais fácil. Waldemar penou com três tentativas seguidas. Depois de algum tempo conseguiu se formar em alguma faculdade. Hoje é engenheiro aposentado da rede ferroviária.
Naquela época Waldemar morava no Hotel Atlântico, praia da Avenida da Paz. Em vez de estudar, vivia na praia organizando “baba”, pelada como chamam os baianos, e paquerando as meninas pudicas que vestiam comportados maiôs.
Ele não teve coragem de falar para os pais que foi reprovado no vestibular. Foi uma festa de arromba quando voltou à fazenda do velho. Todos crentes que nosso amigo retornava para Maceió para cursar engenharia.
Assim Waldemar passou três anos em Maceió vagabundeando com uma boa mesada. Ele gostava de se exibir pagando uma conta aqui outra acolá. Fez boas amizades por conta disso, e de sua simpatia.
Acordava-se por volta das 9 horas da manhã. Tomava o café matinal no Hotel Atlântico e descia à praia da Avenida com uma bola couraça. Na extensa areia dura da praia dava um chute para cima, era o sinal que havia chegado, começava o baba entre os desocupados que ficavam esperando pela pelada do “Baiano”. Depois da pelada e de um bom banho de mar com direito a algumas braçadas para estirar os músculos, Waldemar procurava alguma menina, alguma paquera. Era esse seu ponto fraco: mulheres.
Namorou algumas meninas bonitas da cidade, mas seu habitat era a zona de Jaraguá, freqüentava religiosamente os cabarés. Waldemar, o dono da zona, ficou íntimo de Mossoró, o rei da noite, era o queridinho de todas as raparigas. Além de bom pagador, tratava a todas com carinho e respeito. Isso enfeitiçou as mundanas acostumadas com muitos clientes grosseiros.
Numa noitada na Boate Tabaris, onde hoje funciona a Faculdade de Alagoas – FAL, ele me contou a história do apelido: “Waldemar Fôsse Mãe”.
Quem não tem uma prima, uma tia, uma parenta que de quando em vez, se hospeda em sua casa? Pois Waldemar também tinha na época de sua adolescência. Sua tia Leninha passava alguns dias na fazenda da irmã, em Santo Amaro da Purificação. No mês de janeiro a fazenda se enchia de parentes e aderentes. Mas tia Leninha tinha o privilégio em ter um quarto exclusivo, bem junto ao principal banheiro da casa grande. Certa noite, Waldemar acordou-se com a bexiga cheia. Para entrar no banheiro tinha que atravessar o quarto da tia Leninha. Ao abrir cuidadosamente a porta, Waldemar teve uma taquicardia quando viu sua amada tia deitada em decúbito dorsal, apenas de calcinha preta, dormindo como um neném. Com o coração disparado, o sangue fervendo, andou na ponta dos pés em direção ao banheiro sem perder de vista aquela bunda magnífica coberta apenas por uma minúscula calcinha. Entrou no banheiro, fez o serviço, voltou no mesmo ritual. Pecou sozinho entre os lençóis de sua cama.
No outro dia, no café da manhã, sua tia cochichou no ouvido: “Eu lhe vi, ontem à noite!” Waldemar não conseguiu sossegar o espírito, durante todo o dia vinha-lhe a imagem da tia deitada na cama, o detalhe da calcinha de renda preta lhe excitava, lhe deixava louco.
O ritual se repetiu por mais três noites. Ele se levantava, passava pelo quarto da tia, ficava contemplando aquela beleza. Só sossegava na cama entre suas mãos. Tia Leninha, durante o dia, continuou provocando com olhares lânguidos e sorrisos marotos.
No quinto dia, Waldemar estava a ponto de bala, só pensava na tia. Havia passado da meia-noite quando ele abriu a porta do quarto. Sua tia estava deitada, nua em pelo. Ele endoidou, não conseguiu se segurar, quando se deu, estava por cima da tia, que o segurou repreendendo: “Sou sua Tia, menino!!””
Ele virou-a. Antes de beijar na boca, deu um grito: “FÔSSE MÃE!!!!!!!!!!!!!!!!!”. A tia lhe abraçou às gargalhadas, arranhando suas costas.
Pela manhã, feliz da vida, contou sua aventura, entre juras de segredo, em maior confidência, a seu amigo mais íntimo, o Bilau. A partir desse dia até hoje em Santo Amaro da Purificação, nosso herói ficou conhecido como “Waldemar Fôsse Mãe”

11.9.06

O AZAR DO ALCIDES

Morgana é uma mulher extremamente ciumenta, fica revirando os bolsos do marido para encontrar bilhetinho, se chega perto quando ele fala no celular; quer saber onde foi, onde não foi, gasta toda liturgia de uma esposa transtornada pelo ciúme. Até que Morgana tem suas razões. Alcides, o marido, desde jovem é metido a conquistador, magro, bem vestido, bigodinho a Clarck Gable, cabeleira cheia, típico galã dos anos 50. Tem seu fã-clube entre as coroas desesperadas. Certa vez Morgana, desconfiada, contratou um detetive. Audálio descobriu tudo: Alcides estava de caso com a viúva de um amigo de repartição que havia morrido atropelado por uma bicicleta. Depois do escândalo de Germana, Alcides morou três meses numa pensão perto da rodoviária, até que seus dois filhos pediram para reconciliar. Morgana aceitou a condição imposta pelo marido: nunca se referir sobre o caso de Dona Gerusa, a viúva consolada. Germana não agüenta, por via indireta, até por metáfora, relembra o caso quando quer fazer picuinhas com Alcides.

Hoje nosso amigo se aquietou. Como funcionário público criou os filhos com dificuldades, tem uma casa financiada, e conseguiu adquirir um terreno na praia de Tatuamunha onde construiu um cacete armado e plantou algumas árvores. É sua distração, sua curtição de fim de semana.

Dona Germana às vezes acompanha o marido nas visitas ao sítio como ele chama seu terreno de 15 x 30. Geralmente ele vai sozinho.

Semana passada, pela madrugada encheu o tanque do Fiat-96, reparou óleo, água, pneu, e viajou 90 minutos ouvindo cds de Nelson Gonçalves, pelo belíssimo litoral norte das Alagoas. Na Usina Santo Antônio entrou para estrada à beira mar cortando bucólicos lugarejos até sua bela e amada praia de Tatuamunha. Nesse pedaço de estrada Alcides se eleva, diz que o exuberante coqueiral beirando o mar azul-turquesa-esverdeado faz aquela região, a mais bela do universo. Para Alcides, o paraíso é ali.

Depois de tratar suas frutas, limpar o biombo, conversar com Gunga, o caseiro da região, Alcides, mergulhou em gostoso banho de mar nas águas mornas, entre pequenos recifes, piscinas naturais quase à beira-mar.

Às 14 horas, a fome apertou, hora da volta com parada na praia de Porto da Rua, onde comeu uma bela peixada, engolindo algumas talagadas de Pitu, sua cachaça preferida.

Eram três da tarde quando se arribou rumo à Maceió. Vontade de ficar, dormir em sua rede, olhando o céu estrelado de Tatuamunha, mas havia prometido levar a esposa a um churrasco noturno na casa de sua gorda cunhada. Ao passar pela praia de Paripueira ele sentiu a primeira fisgada de cólica, deu três tapas na barriga, olhou o relógio do carro, dava para chegar em tempo, antes de deflagrar sua diarréia crônica, que estava aparecendo com mais freqüência. O carrinho valente puxava 90 km por hora, enquanto as dores se achegavam mais rápidas. Arrependeu-se de ter se refestelado com a peixada ao coco. Ele tem rejeição, alergia a tudo que leva coco, estava pensando sobre isso quando doeu uma cólica aguda, começou a suar frio, e o corpo amolecer. Estava passando pela praia de Jacarecica, não agüentava mais a dor, suando, pálido. De repente percebeu uma propaganda de um motel: R$ 10,00 por uma hora. Não teve dúvida, puxou a direção para direita, pediu um apartamento. Alcides ao entrar foi tirando a bermuda e cueca. Quando se abaixou para desabotoar o tênis, não deu tempo; saiu aquele barulho de bufa, esparramou merda por todo canto, até na parede. Correu e fez o restante do serviço no vaso. Depois de mais de 30 minutos sentado no trono aliviou-se totalmente. O motel cobrou mais R$ 20,00 pela limpeza extra. Vendo o estrago, foi barato!

Pelo cúmulo da falta de sorte, quando Alcides saía distraidamente do motel, uma caminhonete correndo pela estrada bateu no pára-lama do seu carro que rodopiou e foi de encontro a uma mureta. Ele levou uma pancada na cabeça, foi socorrido pela Polícia, levado ao Pronto Socorro, onde foi medicado. Hoje está se recuperando, cheio de hematomas. O seguro vai pagar parte dos estragos do carro. Mas Alcides não consegue convencer a mulher da verdadeira história de sua entrada no motel. Morgana está uma fera. Recusou-se a ouvir o testemunho da administradora do motel, quer nem saber, vive perguntando quem é a nova rapariga, e promete que vai lhe dar uma surra. Como diz Tia Dulce, o azar nunca vem sozinho.